Conto 2 - Corra

Publicado em Setembro de 2013
Corra!

Ouviu a voz de sua consciência.

O zunido dos tiros ecoava em sua mente, fazendo-o se mover por instinto. Instinto de sobrevivência, desejo de continuar vivo.

A luz da Lua somava-se à precária iluminação publica que iluminava a larga avenida, uma avenida que, normalmente, apresentava grande tráfego de veículos e pessoas. Mas não àquela hora da madrugada.

Suas pernas moviam-se o mais rápido que podiam, seu desespero o fazia quase cair para frente, tropeçando nos próprios movimentos. Precisava evitar ser atingido. Precisava fugir dali. Precisava permanecer vivo.

Sentia a presença de seus perseguidores se aproximando, mas não ouvia seus passos. "De onde vêm? Quantos são? O que querem comigo? Por que eu?", pensou, sem entender por que estava naquela situação ou o que fizera para tal.

Mais tiros. "Ao menos, são péssimos de pontaria", pensou de forma otimista.

Angústia. Medo. Ansiedade...Não sabia definir. Sabia apenas que não queria mais sentir aquilo, e que queria rápido, tão rápido quanto pensava estar correndo.

A presença estava mais próxima. Podia sentir que estava quase ao alcance das mãos de seus perseguidores. Mas ainda não escutava os passos, nem era atingido pelos tiros... "Como pode? Sinto-os, mas não os vejo... Me ameaçam, mas não me acertam..."

Teve uma ideia, um tanto quanto suicida, é verdade, mas passível de sucesso.
Subitamente, parou de correr. Decidiu enfrentar seus opressores. Enquanto reduzia abruptamente sua velocidade de corrida, cerrava os punhos, para aproveitar a velocidade de corrida dos inimigos aliada ao elemento surpresa e nocautear estes incompetentes perseguidores com um soco.

Ao virar-se, seus olhos não acreditam no que vêem... e tudo acontece muito rápido para que pudesse compreender o ocorrido.
Com o choque da visão e dos instantâneos acontecimentos, acordou assustado, porém seguro em sua cama.

"Será que foi verdade, ou apenas um sonho? Torço pela segunda opção", pensou.