Páscoa

Publicado em Abril de 2013
Não escrevo há aproximadamente um ano e meio, então creio que tirar a ferrugem será um pouco complicado, mas vamos tentar.
Longo período em hiato...

Primeiramente, não pretendo entrar no ponto religioso nem filosófico da Páscoa.

Alguns dias após o carnaval, os supermercados enchem-se ovos de páscoa com embalagens atrativas de chocolates de todos os tamanhos e formatos imagináveis... Formando aquele corredor dos sonhos que faz brilhar os olhos de qualquer criança (ou chocólatra).
Até aí, nenhum problema. Assim, como não há problema em períodos de volta às aulas onde vemos um mar de cadernos e mochilas inundando os principais corredores.

O que tem me chamado a atenção há alguns anos é o preço (pois, como dizem: "A região mais sensível do corpo humano é o bolso")
Muitos já fizeram comparações entre os preços dos ovos de páscoa e outros produtos (acho que o campeão de comparações é a cerveja...), assim como já vi comparações entre preços de ovos atuais com ovos de 10 anos atrás.
Meu irmão adora olhar o preço de cada ovo de páscoa e comparar com o preço de uma barra padrão de chocolate, com o mesmo peso, ou quase o mesmo peso (por exemplo, o ovo Alpino com a barra Alpino).
Acho todas estas comparações falhas e forçadas. Então não é nisto que vou me ater também.

O ponto que tem me chamado a atenção há anos é por que o preço destes ovos tem que ser tão alto...
Entendo que o processo de manufatura dos ovos de páscoa acabe o tornando um pouco mais caro, e também que há efeito da famigerada lei da Oferta e Demanda... Mas isso justifica esse valor abusivo?

Não compramos ovos de páscoa aqui na minha família há, pelo menos, 5 anos.
Não deixamos de comprar chocolates na páscoa, apenas mudamos a forma de ver as coisas.
Vale a pena (ou faz algum sentido) comprar um chocolate que é levemente diferente do chocolate em barra padrão, que tem um formato diferente (que por si só não altera a qualidade do produto) e que está em uma embalagem muito mais trabalhada e pagar cerca de 6x~10x o valor da barra?

Esta semana, estive no supermercado com meu pai, e lembro de ter comentado com ele: "Bah, acho que eu seria um pai monstruoso...Meus filhos já nasceriam sabendo que Coelinho da Páscoa e Papai Noel são mais que reis no consumismo...". Aí então ele comentou "Mas nós entendemos isso... As crianças não. Para elas, o ovo é que tem graça. Faz parte isso".

Foi então que fiquei pensando: É esse o erro... esse o ponto... Ou aceitamos a condição de meros servos do consumismo desenfreado nos rendendo à compra de "ovos de ouro", ou nos passamos por monstros destruidores de sonhos infantis e condenados como anomalias da sociedade moderna (ok, essa foi dramática).

Já ouvi o seguinte argumento: "Tá, mas qual a reação de um pai, uma mãe, uma namorada, um amigo, ou qualquer coisa parecida quando tu dás um ovo? E qual a reação quando recebem uma barra ao invés do ovo? É frustrante, não?"
Bom, de certa forma, sim. Mas acho que o que torna especial é o sentimento de atenção, de lembrança, de carinho... Não importa se o presente que tu dás é um ovo de páscoa ou um livro (para quem gosta de ler), o importante é o fato de teres lembrado da pessoa, e teres te preocupado em comprar algo "melhorzinho", de ter ao menos te dado ao trabalho de escolher...
Ou seja, o importante não é o produto, mas sim o sentimento.
Uma observação: Se precisas de um evento especial para espalhar este sentimento entre as pessoas que amas, só posso dizer isto: Lamento.

E isso tudo se aplica também aos outros eventos comerciais, tais como Dia das Mães, Dia dos Pais, Natal...

Acredito que a criatividade vale muito mais, até mesmo nestas datas especiais.
Um cesta de páscoa criativa pode ser muito mais divertida para uma criança (e sustentável, para quem compra), com muito mais chocolate e enfeites tão bonitos e visualmente volumosos quando os tradicionais ovos e nem por isso se render a esse consumismo que tende à extorsão...
Até mesmo para um adulto isso se aplica. Neste caso, é até mais fácil, pois não temos que nos limitar apenas ao uso de chocolates e doces... Aí, vai da criatividade de cada um (e se, na pior das hipóteses, tu não fores nada criativo, ainda existe a internet para solucionar isso...)

Por fim (e, como diria o pessoal da igreja-da-esquina-daqui-de-casa-que-se-escuta-quadras-de-distancia dizendo, "Aleluia, irmão!"), desta vez não colocarei perguntas, por mais que eu acredite no poder delas. Simplesmente pelo fato de eu não saber quais fazer...
Deixo na consciência de cada um.
Se acreditas que vale a pena continuar com estas tradições (que tendem sempre a piorar), continue.
Se não adotas mais estas tradições (ou nunca adotastes), continue assim também.
Se eu ao menos consegui te fazer pensar a respeito, este texto cumpriu seu objetivo.